| Fichamento da Conferência XX de Freud sobre a Vida Sexual dos Seres Humanos Volume XVI – Conferências Introdutórias sobre Psicanálise ( Parte II1915-1916) |
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MARIA DO CARRMO GOMES FERRAZ - PSICANALISTA EM FORMAÇÃO - SCOPSI Freud, em sua Conferência sobre a vida sexual dos seres humanos, amplia, a partir da sua visão psicanalista, o conceito de sexualidade, muito além da visão que restringia a sexualidade aos propósitos da reprodução dentro dos padrões normais da sociedade da sua época. Na sua visão, não se pode confundir sexualidade com reprodução, pois ela não é o núcleo da sexualidade; a masturbação, o beijo são sexuais. A vida em sociedade o trabalho transforma a energia sexual do ser humano. Portanto, há uma transformação da libido para a atividade laboral. A consciência coletiva transforma a vida das crianças em assexual no decorrer do tempo. Ele Defende a tese da existência da vida sexual das crianças desde a tenra idade.
Na sua visão é possível visualizar as relações entre perversão e neurose, sendo esta última causada pela sexualidade, ou seja, os sintomas neuróticos são substitutos da satisfação sexual, assim, tendo nos sintomas um significado sexual. Os impulsos homossexuais são encontrados invariavelmente em cada um dos neuróticos e que numerosos sintomas dão expressão a essa inversão latente. Afirma: “Aqueles que se proclamam homossexuais são apenas invertidos conscientes e manifestos e seu número nada é em comparação com os dos homossexuais latentes.” Para ele a paranóia não é uma neurose de transferência, tendo a sua origem na tentativa do doente libertar-se de impulsos homossexuais excessivamente intensos.” Freud, define a “perversão” como sendo a prática sexual fora do padrão estabelecido pela sociedade para a reprodução, toma como exemplo pessoas que só se excitam com pessoas do mesmo sexo, podendo chegar até o extremo à repulsa por órgãos sexuais do sexo oposto ao seu como objeto de desejo sexual, no caso os homossexuais ou invertidos. Caracteriza a libido como uma força pela qual o instinto sexual se manifesta. Com relação às perversões suas inclinações teriam origens na infância, ou seja, a sexualidade pervertida teria uma relação direta com a sexualidade infantil, cindida em seus impulsos separados. Faz uma distinção com relação à classe de pervertidos em homossexuais, cujo objeto sexual foi modificado, e outros nos quais a finalidade sexual foi primariamente modificada. Outros abandonam totalmente o genital como objeto e alguma outra parte do corpo como objeto que desejam – um seio de mulher, um pé, ou uma transa de cabelos. Já os fetichistas se satisfazem com uma peça de roupa, um sapato, uma peça de roupa íntima. Outros têm como objeto de desejo cadáver indefeso. Um segundo grupo de pervertidos cujo desejo consiste em olhar outras pessoas, ou palpá-las, ou espiá-las durante a execução de atos íntimos, ou expõem partes do corpo que deveriam estar encobertos. São formas patológicas de sexualidade as acima bordadas como também o sadismo e o masoquismo. Já a fantasia consiste em imaginar a satisfação sexual. A neurose histérica pode produzir seus sintomas em qualquer sistema de órgãos, perturbando qualquer função. Os impulsos pervertidos consistem em procurarem substituir o órgão genital por algum outro órgão, sendo estes genitais substitutivos. Segundo essa visão, os órgãos corporais, além da sua função, podem desempenhar outra significação sexual ( erógena ), ou impulsos sexuais pervertidos. De forma inconsciente na histeria a tomada de alimento e excreção podem se tornar veículos de excitação sexual. A neurose obsessiva pode ser provocada pela pressão de impulsos sexuais sádicos excessivamente intensos (pervertido, portanto, quanto ao seu fim). Os sintomas têm como objetivo defesa contra esses desejos, ou expressam a luta entre a satisfação e a defesa. As forma cismáticas correspondem a uma excessiva sexualização de ações que comumente se efetuam como prévias com vistas à satisfação sexual normal – uma excessiva sexualização do querer olhar, tocar ou explorar. Aqui temos a explicação da grande importância do temor de tocar e das obsessões de lavar-se. Atos obsessivos podem levar à masturbação, da qual constituem repetições disfarçadas, sendo uma fantasia sexual. Relaciona perversão e neurose sendo possível adoecer de neurose em conseqüência de frustração da satisfação sexual normal em função de regras sociais permanentes. Na infância encontram-se as raízes das perversões. A sexualidade pervertida não é senão uma sexualidade infantil cindida em seus impulsos separados, afirma Freud. As crianças possuem tudo aquilo que se pode descrever como vida sexual, se justifica pelo fato condenado como perversão. Portanto, as crianças têm vida sexual e necessidade de alguma forma de satisfação. A sociedade cuida de proibir toda as atividades sexuais das crianças e vistas com maus olhos, idealizando a vida das crianças como assexual. Algumas funções vitais relacionam-se aos primeiros impulsos da sexualidade infantil. Segundo Freud, “ ...quando as crianças adormecem, após se haverem saciado ao seio, mostram uma expressão de bem-aventurada satisfação, que se repetirá, posteriormente na vida, após a experiência do orgasmo sexual.” Portanto, o ato da sucção lhe proporciona, por si só, uma satisfação. Os bebês executam ações que não têm outro propósito senão obter prazer. A boca e os lábios são zonas erógenas e descritas como sexual, ou seja , o prazer derivado da sucção. O seio materno é o primeiro objeto sexual, em seguida pode ser substituído pelo polegar e a própria língua, independente do mundo externo. Da sucção passa à masturbação com seus genitais. Sexualidade infantil – satisfação das principais necessidades orgânicas sendo auto-erótica, procura seus objetos no próprio corpo. Também têm sensações prazerosas no processo de evacuação da urina e das fezes, e logo conseguem dispor destes atos de maneira que estes lhes tragam a máxima produção de prazer possível, através das correspondentes excitações da membrana mucosa. A sociedade limita este prazer impondo regras, o prazer é trocado pela respeitabilidade social. No início as crianças não têm repulsas pelas fezes, valoriza-as como parte do seu próprio corpo, são seus primeiros presentes e dinheiro. O ânus passa a ser uma espécie de genital. Defecar é uma forma de satisfação sexual explorada já na infância. Freud faz uma relação entre a atividade sexual infantil e perversões sexuais. Esta vida sexual infantil é do tipo pervertido. As perversões sendo caracterizadas como não tendo objetivo a reprodução, permanecendo a obtenção de prazer, como objetivo independente sendo proscrito. A construção do caráter, no menino, vai ser influenciado pela passagem no complexo de castração ( ameaças que foram submetidas com relação a sua sexualidade) o qual o menino é submetido pela sociedade. As meninas passam pela inveja do pênis e o desejo de serem homens, que surgem nas neuroses. Na infância, o clitóris da menina assume inteiramente o papel do pênis: caracteriza-se por especial excitabilidade e se situa na área em que é obtida a satisfação auto-erótica. A sua transformação em mulher vai depender do clitóris ceder sua sensibilidade ao orifício vaginal, na época oportuna e de forma completa. Os casos de anestesia sexual das mulheres, o clitóris reteve obstinadamente sua sensibilidade. Portanto, o conceito do sexual foi ampliado pela psicanálise, na visão freudiana, para a compreensão das causas das neuroses e do significado sexual dos sintomas, para compreender a vida sexual dos pervertidos e das crianças.
BARREIRAS, 29 DE DEZEMBRO DE 2010 |
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